A água é medicina holística

A água é um remédio natural que beneficia todo o corpo. Pode ser usada através de uma variedade de formas versáteis, que não apresentam efeitos colaterais e ajudam a controlar e
curar estados agudos – da diarréia à enxaqueca, passando pelos resfriados – bem como a má saúde crônica. Pode ser usada também como preventivo das doenças e como inestimável
salvaguarda da saúde. As inúmeras técnicas e usos terapêuticos que envolvem a água são conhecidos coletivamente pelo nome de terapia pela água ou hidroterapia. A terapia
pela água, por sua vez, integra uma abordagem geral tendo em vista a boa saúde, conhecida pelo nome de medicina holística.

A medicina holística contém vários elementos: uma tripla abordagem da saúde total, que enfatiza a interação da mente, do corpo e da nutrição; o desejo de investigar sempre a causa
geral, bem como o sintoma especifico que afetam o corpo; a necessidade de assumirmos a responsabilidade por nossa própria saúde; a sensação de compartilhar algo com um
profissional da saúde que se entrega a seus pacientes.
Um dos objetivos mais importantes da medicina holística, que não recorre às drogas, é superar bloqueios energéticos súbitos ou crônicos e restaurar o fluxo normal da energia
interna em direção à parte afetada ou ao corpo em sua totalidade. A terapia pela água é uma notável restauradora de energias e pode ser usada não só em relação aos primeiros
socorros como também no que se relaciona com problemas de todo dia.

Ao restaurar o fluxo da energia, a terapia pela água ajuda o corpo a curar-se e impede a ocorrência de muitos outros problemas de saúde. Ela, portanto, coloca-se na primeira
linha de defesa da saúde e deve ser considerada como um instrumento importante para uma medicina que preconiza os cuidados do indivíduo para consigo mesmo.

Uma rotina diária

A água pode e deve ser parte de nossa rotina diária de saúde.

Quando você toma um banho quente para relaxar ou um rápido banho de chuveiro frio para estimular seu corpo cansado, você, inconscientemente, está empregando as técnicas da
terapia pela água. Meu dia começa com duas terapias pessoais:
bebo dois copos de água fria uma hora antes do café da manhã e ando por alguns instantes dentro de uma banheira cheia de água fria cobrindo apenas meus pés. A ingestão da água dá
conta de uma tendência a um peristaltismo vagaroso, e andar dentro da água desperta minha energia e é um fortificante do corpo.

É tão simples quanto tomar um copo de água

Toda pessoa que vive neste mundo já usou a água para fins de sobrevivência, pois sem bebê-la todos morreríamos. Devido ao fato de que normalmente bebemos água apenas para saciar a sede ou como um solvente para nossos alimentos, tendemos a ignorar os múltiplos benefícios que ela acarreta para a saúde e o fato de que a água é necessitada internamente por todas as células e órgãos em funcionamento.

Já descobri que o simples ato de beber água fria ajuda a revitalizar-me durante meus períodos de indolência. Os médicos e os quiropráticos verificam com freqüência que uma
reação muscular débil, especialmente se todos os músculos estão reagindo da mesma maneira, pode ser devida a uma desidratação incipiente. Um copo de água algumas vezes supera essa estranha fraqueza do corpo. Beber água também ajuda a reduzir a febre alta, estimula um órgão a interagir com outro e opera uma limpeza interna, ao eliminar do organismo material indesejável.

Por que água?

O que torna o tratamento com a água tão singular é o fato de ela estar facilmente a nosso alcance. Além disso, a terapia pela água não é dolorida, e centenas de problemas de saúde
podem ser tratados imediatamente, naturalmente, com custo muito baixo e até mesmo sem nenhuma despesa. A terapia pela água pode deter um resfriado antes mesmo que ele comece, ajudar a superar uma irritação na garganta, gerar energia, aliviar a dor, vencer o nervosismo, auxiliar a conciliar o sono, reativar o cérebro, restabelecer a saúde interna e até
mesmo fazer com que nos sintamos mais ativos sexualmente; ela, enfim, pode restaurar e tonificar o corpo.

O que há de excepcional em relação à terapia pela água é que ela interage com a natureza de cada indivíduo. A terapia pela água atua de maneira positiva e jamais destrói a valiosa
flora interna ou debilita a energia dos órgãos internos. A terapia pela água cria circulação e supera a inércia; desbloqueia também barreiras energéticas, para que o corpo
possa funcionar de modo mais livre e mais normal. Agindo no sentido de desintoxicar isto é, livrar o corpo de quaisquer venenos ou toxinas acumulados, que podem configurar o inicio
de uma doença ou perdurar após uma doença – a terapia pela água fortalece os mecanismos naturais de defesa do corpo.

O Dr. William Kellogg, que já. no inicio deste século advogava alimentação e cura naturais, notava que, em estado de perfeita saúde, cada parte do corpo recebe a quantidade
devida de sangue. A água pode equalizar a circulação do sangue, controlar e equalizar a temperatura, eliminar a dor, estimular um órgão preguiçoso ou inativo, remover de nosso
sistema matérias nocivas e toxinas, além de estimular e aliviar todo o sistema nervoso.

Uma outra razão para empregar as técnicas da terapia pela água diz respeito ao comportamento das bactérias no corpo. Os cientistas descobriram que o tecido genético pode passar de uma bactéria para outra, tornando-as mais fortes e virulentas do que as gerações precedentes de bactérias semelhantes. O Dr. Stanley Falkow, da Universidade de Washington, denomina estes tecidos de "genes móveis" e faz a previsão um tanto lúgubre de que mais e mais bactérias atingirão aquele novo estágio a que nos reportamos acima.

Isto já aconteceu com a Haemophilus influenzae, causa patogênica de alguns casos de bronquite, meningite, pneumonia e sinusite. A penicilina costumava destruir essa bactéria,
mas agora os médicos surpreendem-se ao constatar que muitos pacientes já não reagem mais ao tratamento com aquele medicamento.

Os cientistas também descobriram o fato alarmante de que outras bactérias se tornaram resistentes aos antibióticos, da mesma forma que os insetos desenvolveram resistência ao DDT.
Variedades cada vez mais virulentas de certas bactérias mortíferas estão surgindo, como por exemplo a recente "Doença do Legionário", que ocorre no momento em todas as regiões dos
Estados Unidos e que até agora tem sido classificada como uma espécie desconhecida de pneumonia. Um outro exemplo é uma nova forma de febre tifóide, que resiste ao antibiótico
cloranfenicol. No México, uma epidemia recente dizimou 14000 pacientes antes que os médicos pudessem recorrer com sucesso a um outro antibiótico, no caso a ampicilina.

Não há a menor dúvida de que os antibióticos podem lograr sucesso, mas não há também dúvida de que o uso persistente de antibióticos encerra muitos perigos. Em um processo
evolucionário natural, qualquer organismo apresentará mutações bem sucedidas, cada vez mais resistentes às medicações que as combatiam previamente. Naquele documentário
inglês tão apreciado, O Milagre superado, um cientista americano, o Dr. Sidney Ross, Chefe de Microbiologia do Hospital Infantil de Washington, D.C., teme que o emprego
excessivo de antibióticos em todo o mundo tenha criado doenças novas e mortais. Cito as palavras do Dr. Ross: “Acho que daqui a cinqüenta anos voltaremos a olhar para trás e
encararemos nosso tempo como se ele fosse a idade do ouro... talvez estejamos voltando à Idade Média, no que diz respeito à terapia através dos antibióticos!”

Se a constatação do Dr. Ross for verdadeira e se tivermos dificuldades crescentes em controlar muitas doenças letais que agora se apresentam sob nosso domínio, será necessário
voltar a adquirir aquela sabedoria perdida, relativa à cura através de processos não químicos. A terapia pela água, uma alternativa séria e eficaz à medicina que recorre às drogas
tóxicas, apresenta-se como um início muito promissor.

A pesquisadora americana, Dian Dinchin Buchman, revela o potencial curativo da água em sua obra A Cura pela Água - 500 maneiras de usar a mais antiga das medicinais naturais
(Brasiliense, 1981, obra esgotada). Vida Integral continua esta mês uma série com base no livro dessa autora.

Água e relaxamento

Não deixo de lado a possibilidade de que a terapia pela água é parcialmente eficaz na medida em que se trata de algo muito agradável. Alguns cientistas dizem que nos sentimos melhor dentro da água porque o mar é o nosso verdadeiro lar ancestral. Outros ligam a sensação de relaxamento na água à lembrança do fluido amniótico no qual flutuávamos antes do nascimento.

Entre as diferentes terapias pela água, nenhuma é mais gratificante quanto o banho que tomamos para nos divertir e relaxar. Que pai pode esquecer a aparência de prazer e
segurança estampada no rosto de seu filho recém nascido, quando a técnica do banho quente de LeBoyer é empregada imediatamente após o parto? O Dr. LeBoyer insiste no fato de
que se seu sistema pós-natal (penumbra, silêncio, banho quente) fosse posto em prática universalmente, a maioria de nós cresceria muito mais feliz.

Ricos ou pobres, analfabetos ou não, a maior parte de nós possui um instinto inato em relação ao uso da água e à fadiga. Um menino muito problemático, de oito anos de idade,
confessou recentemente a um amigo meu que tomava com freqüência banhos quentes a fim de relaxar. Uma ocasião, sentindo-se revoltado porque sua mãe o tinha deixado de
cabeça raspada, a fim de castigá-lo, ficou em um banho quente durante quatro horas, para superar sua raiva incontrolável e a sensação de impotência que se apoderou dele. De certo modo sabia instintivamente que encontraria reconforto e serenidade em um banho quente, da mesma forma como outros sabem instintivamente que há estimulo em um banho de chuveiro frio.
Nossos sentimentos em relação à água são até certo ponto aprendidos, mas também podem fazer parte de nosso inconsciente coletivo, pois até mesmo os povos mais primitivos usavam a água empregando os processos mais variados de cura.

Como a água age sobre seu corpo

As técnicas da terapia pela água podem encontrar paralelo nas atividades complexas de uma torre de controle em um aeroporto movimentado, no qual as decolagens e aterrissagens fazem parte de um sistema total, cujos componentes devem trabalhar em conjunto. Alguns aviões descem na pista central. Outros são desviados para as pistas laterais, outros voam em torno do campo e outros, quando faz mau tempo, são desviados para aeroportos mais distantes. A água pode ser usada de modo semelhante. Pode agir diretamente sobre todo o corpo ou pode atuar sobre determinada área, para provocar esvaziamento ou congestão.

Dá-se um exemplo de aplicação direta da água quando imergimos nosso corpo em um banho. Neste caso, a água leva todo o corpo a sentir-se tonificado ou relaxado. Um exemplo de aplicação indireta da água é o emprego de um escalda-pés bem quente ou o uso de duas meias molhadas com água fria, para descongestionar a cabeça ou o peito durante um resfriado. Um outro exemplo de aplicação direta é o uso de uma ducha sobre os ombros ou uma bolsa de gelo colocada entre as coxas, para reduzir a congestão pélvica.

Aprender as várias técnicas da terapia pela água assemelha-se de certa forma a estudar as ilustrações do corpo humano encontradas no World Book Encyclopedia. Podemos visualizar um segmento ou vários segmentos sobrepostos da ilustração, pois cada lâmina de celulóide detalha o sistema circulatório, o sistema linfático, as glândulas endócrinas, o sistema
digestivo e assim por diante, até que a ilustração final mostra-nos o corpo tal como o conhecemos.

A terapia pela água parece simples e muitas vezes é simples de ser praticada, mas a maior parte de sua ação é invisível. A água pode funcionar de modo simples e direto ou complexo e
indireto, e sua capacidade terapêutica toda especial pode ser empregada em estado liquido, gasoso ou sólido.
Uma das razões pelas quais a água é tão eficaz em um processo natural de cura se deve ao fato de que ela estimula o corpo ao produzir uma ação, que por sua vez produz uma reação. Um exemplo disso é o efeito do gelo após um ferimento. O efeito entorpecedor do gelo - a ação - não somente atua como anestésico e portanto reduz a dor , como também reduz o
desenvolvimento e o movimento do fluido - a reação - e assim controla a sangria.

Os arcos reflexos

A pesquisadora americana, Dian Dinchin Buchman, revela o potencial curativo da água em sua obra A Cura pela Água - 500 maneiras de usar a mais antiga das medicinais naturais
(Brasiliense, 1981, obra esgotada). Vida Integral continua esta mês uma série com base no livro dessa autora.

Em 1880 o Dr. William Winternitz, da Áustria, descobriu o fato surpreendente de que a água age sobre os terminais nervosos da pele. A pele transmite em seguida mensagens diretamente dirigidas a um órgão próximo, ou o faz indiretamente, através dos “arcos” reflexos.
Esses arcos ligam a pele aos músculos, glândulas e órgãos.
Quando a água, quente ou fria, é aplicada sobre a pele, os arcos reflexos estimulam os impulsos nervosos, que por sua vez se propagam para outras partes do corpo. Esta ação é
semelhante à transferência de eletricidade que ocorre quando se acende uma lâmpada ou ao efeito causado sobre um nervo, quando se faz uma aplicação de acupuntura.

Formas de água

Por ser uma substância tão comum, tendemos a encarar a água como algo fora de discussão, sem nos darmos conta da grande variedade de suas formas físicas e químicas e que se
apresentam à nossa inteira disposição (veja se por exemplo a água que escorre de uma torneira, os cubos de gelo ou a água que ferve em uma panela).

Cada uma destas formas distintas de água - gelo, água e vapor - deve ser usada diferentemente, pois cada uma possui uma função específica no que diz respeito à cura e à
manutenção da saúde. Com efeito, a ação terapêutica da água é tão complexa e variada que, se ela não existisse e alguém fosse inventá-la nos dias de hoje, essa pessoa se tornaria o
cientista mais respeitado e renomado do universo!

Dependendo da forma (líquida, gasosa, sólida), temperatura (fria, quente, gelada, neutra) e pressão (desde a água que escorre até um jato), a água exercerá uma reação física e
química específica no interior do corpo e sobre o corpo.

A água fria

A água fria age de maneiras bem diversas. Por exemplo, uma aplicação rápida de água fria age como um tônico, enquanto uma aplicação mais demorada age como um depressor.

A água fria é no entanto basicamente restauradora, reenergizadora e ajuda a desenvolver resistência à doença. A água fria pode ajudar a baixar até mesmo a febre mais alta,
alivia a sede, age como um estimulante, diurético e anestésico, diminui a dor, reduz a constipação e auxilia a eliminação das toxinas do corpo.

A água fria revela-se um ingrediente surpreendente e necessário em uma série de excelentes compressas curativas (compressas duplas e suadouros, isto é, lençóis envolvidos em
água fria e que envolvem todo o corpo). Diversamente das compressas quentes, que se tornam frias, compressas frias, quando envolvidas por uma camada exterior de flanela, lã ou
até mesmo plástico, tornam-se quentes, devido ao calor que se irradia do interior do corpo.

Gelo ou água gelada

O gelo ou a água gelada são muito eficazes quando se trata de diminuir a dor de queimaduras simples. Uma massagem com gelo ou gelo envolto em um pano é o tratamento mais adequado para ferimentos, pois o frio ajuda a controlar a sangria e reduz o inchaço subseqüente. E o melhor dos tratamentos para qualquer tipo de ferimentos ocorridos no atletismo. O gelo é um excelente anestésico.

Água morna (neutra)

A água fria é calmante, relaxa o corpo e, quando necessário, revela-se um em emético eficaz.

Água quente

A água quente (bem como a fria) pode ser usada internamente e externamente.

Em um ferimento, o calor aumenta o fluxo sangüíneo e agirá no sentido de intensificar qualquer inflamação; como resultado, deve-se evitar água quente no tratamento dos ferimentos. A água quente pode, entretanto, relaxar, acalmar e aliviar o corpo em muitas outras condições. Uma rápida aplicação de água quente baixa e descongestiona o tônus do corpo e do músculo, fazendo com que o corpo se sinta mais relaxado. Ao passo que uma aplicação prolongada de água quente excita e ao mesmo tempo deprime o corpo, o efeito integral é de completo relaxamento.

Alguns dos usos terapêuticos mais importantes, no que diz respeito à água quente, são: o banho quente para provocar a transpiração, compressas quentes e banhos quentes nos pés e
nas mãos a fim de reduzir a inflamação e a dor, e banhos contrastantes, quentes e frios, a fim de apressar a circulação e a reação do corpo. Enquanto um banho quente na mão suaviza a dor e o espasmo, um banho frio pode ser usado quando o corpo está superaquecido ou quando se quer controlar uma hemorragia nasal.

Vapor

Consegue-se o vapor através da água que ferve, usando um vaporizador ou um umidificador ou utilizando salas de vapor profissionais ou domésticas ou então saunas. O vapor acelera
a ação da pele e cria a transpiração, a qual por sua vez limpa o corpo a partir do interior. As aplicações de vapor no rosto abrem os poros, mantêm-nos limpos e ajudam a evitar
problemas da pele e acne. O jato quente de um vaporizador ajuda na congestão do peito. O ar úmido e morno dos umidificadores usados nas casas acrescenta umidade aos
aposentos ressecados pelo aquecimento interno, impedindo inflamações do sinus e hemorragias nasais, ao mesmo tempo que alivia problemas alérgicos veiculados pelo ar.

O fato de você conhecer o tratamento correto pela água e o fato de você saber como usá-lo podem poupar-lhe dores inúteis e muitas despesas, ajudando-o a exercer um controle mais
ativo sobre sua saúde.

Esta introdução, relativa a fatos básicos da terapia pela água, proporcionou-lhe apenas um vislumbre da enorme variedade de usos médicos baseados no emprego da água. Nos
capítulos que se seguem vamos explorar o assunto com maior detalhe e mediante indicações graduais, cuidadosamente ilustradas, mostraremos mais de quinhentas maneiras através
das quais você pode usar a água a fim de melhorar sua saúde e mantê-la em bom estado, no que diz respeito a você e a sua família.

Dra. Dian Dincin Buchman

Um pouco de história

Terapia pela água é tão velha quanto o homem e é uma ironia que uma medicina tão natural e eficaz tenha de ser redescoberta em cada era. Uma das primeiras menções escritas
sobre o uso da água como medicina diz respeito aos templos do deus grego da medicina, Asclépio. Nesses locais, banhos e massagens faziam parte do tratamento dos doentes.

Hipócrates, a quem consideramos o “Pai da Medicina”, passa por descendente do legendário Asclépio. Hipócrates empregava a água como bebida afim de reduzir a febre e tratar de muitas doenças. Enfatizava também a importância de recorrer a vários tipos de banhos, cada um deles com diferente temperatura, como um instrumento terapêutico no combate às doenças.

Mais tarde os médicos romanos Galeno e Celsus também advogaram banhos específicos como parte integral de suas prescrições. Como se sabe, uma série de banhos frios curou o
imperador romano Augusto de uma doença tenaz que resistia a todos os remédios, e logo após banhos frios gozaram de grande estima em Roma.

Quase todas as civilizações de clima quente usaram em algum momento banhos, não só devido a razões terapêuticas como também para gozar de uma interação social agradável. Há uma interessante nota de rodapé em um trabalho do grande médico persa Rhazes, que foi o primeiro a comentar a diferença existente entre o sarampo e a varíola. Rhazes escreveu a
respeito da ação da transpiração, que forçava as erupções a surgir com rapidez.

Este conceito é muito importante na terapia pela água e foi conhecido e empregado pelos médicos na India, Turquia, Rússia e Finlândia, bem como pelos curandeiros, entre os indios
americanos.

A través da história há indicações de que a água era usada como remédio no controle da febre alta, mas o remédio era tão simples, que seu uso declinou quando outros métodos de
tratamento foram introduzidos. É interessante notar que durante o século XVIII houve um importante ressurgimento do uso da água como medicina entre alguns clérigos italianos,
alemães e ingleses, e o dedicado médico e cirurgião escocês Dr. James Currier escreveu um livro importante, Os Efeitos da água, fria e quente, como remédio na febre e outras doenças
Currier entrou em detalhes a respeito do uso clinico da ingestão da água e da imersão nela a fim de reduzir febres altas, sobretudo no caso de tifo e varlola, além de preconizar o uso da água devido à sua capacidade de estimulação interna e a seus poderes reativos.

Currier escreveu seu primeiro livro em 1797. No entanto, foi somente nas primeiras décadas do século XIX que Vincent Preissnitz, um fazendeiro da Silésia, estabeleceu as bases da
moderna terapia pela água. Vincent era ainda um adolescente quando se tornou interessado nos poderes curativos da água.
Deu um talho profundo nos dedos e contemplou surpreendido o que sucedia, quando um vizinho lhe mostrou como usar compressas alternadas de água quente e fria afim de curar e
restaurar as funções dos dedos atingidos.

Logo após esse episódio, Vincent estava carregando uma carroça com molhos de feno, no topo de uma colina, quando os cavalos se espantaram e o pesado engenho passou por cima de seu corpo. Segundo tudo indicava, Preissnitz estava aleijado para o resto da vida. Pelo menos foi isto o que o médico lhe disse. Preissnitz, no entanto, recordava-se da lição de seus
dedos. Com muita ousadia forçou suas costelas, que haviam afundado, a voltar a uma posição mais natural e recorreu novamente a compressas frias a fim de aliviar a dor.

A conjugação de descanso, ingestão copiosa de água e emprego de compressas quentes e frias deu resultados que foram muito além de sua imaginação. Recuperou-se completamente e a terapia pela água foi “inventada” mais uma vez.

A hitória está repleta de sucessos médicos tão isolados quanto este. mas o fato realmente extraordinário é que esse adolescente fazendeiro desenvolveu uma experiência própria
com determinada terapia e desenvolveu-a, transformando-a em um sistema terapêutico completo. A cura de Preissnitz foi tão espetacular que ele imediatamente ganhou o respeito e o interesse dos habitantes de sua aldeia.

Devido ao fato de ter problemas de saúde tão variados à sua volta, Preissnitz teve possibilidade de fazer experiências com remédios rústicos, com conceitos que estrangeiros lhe transmitiram de outros paises, e com suas próprias descobertas. Como era perseverante e analitico, desenvolveu muitas técnicas para o emprego da água: compressas simples e
duplas, mergulhos, imersões completas e camisola molhada, embebida em água salgada ou água de flor de feno, e este processo foi uma das pedras de toque do tratamento das
doenças infantis.

Após Kneipp, preeminentes cientistas ingleses, alemães e americanos investigaram a ação terapêutica da água sobre o corpo. Devo muito a esses cientistas, médicos e leigos que
observaram e registraram continuamente a ação clinica da água sobre as crianças e adultos, os quais alcançaram a recuperação de estados crônicos ou agudos como resultado da
hidroterapia.

A Dra Dian Dincin Buchman é autora do livro "Terapia Pela Água" - Editora Brasiliense, 1981, São Paulo, SP, obra esgotada, de onde extraímos este texto.

Compressas para as juntas

Método

Dobre diversas vezes um pano mais ou menos do tamanho de um pano de prato. Mergulhe na água fria. Esprema, de modo que permaneça úmido, mas sem pingar, e enrole-o ligeiramente, em torno da junta inflamada. Como a dor pode ser intensa, não mexa na compressa, mas molhe-a com borrifos de água fria cada 15 minutos, a fim de manter a compressa continuamente fria.
Para tratar queimaduras ou ulcerações, adicione óleo de vitamina E ou uma pomada feita com suco de aloés depois que a dor aguda passar, aplicando em seguida uma compressa fria e dupla como terapia secundária.

Compressa fria e dupla para as juntas Artrite crônica ou dores não muito agudas (punho, mão, joelho, tornozelo, pés).

Nota: Esta compressa exerce um efeito geral de aquecimento.

Método

Mergulhe uma compressa comprida e estreita em água fria, esprema de modo que fique úmida, mas sem pingar e enrole em torno da junta como se fosse uma espiral. Cubra com uma flanela quente ou um tecido velho de lã macia e amarre. Mude cada 30 minutos ou cada 2 horas ou sempre que a compressa esquentar e secar.

As juntas podem ser medicadas primeiramente com loção ou pomada de arnica, óleo ou pomada Olbas ou óleo de gaultéria a fim de intensificar a circulação ou reduzir a dor.

Compressa quente e úmida para a junta
Dores reumáticas, pele repuxada, problemas crônicos das juntas, gota.

Método

Mergulhe uma compressa de algodão ou de linho, dobrada diversas vezes, em água fervendo. Esprema até que a água não pingue e aplique imediatamente à área dolorida da junta.

Para aliviar a dor, esta compressa pode ser usada no momento ou várias vezes por dia, com uma diferença de seis horas.
Lave a área com água tépida e em seguida fria, secando-a por meio de fricção. Os ungüentos e óleos herbais acima mencionados, quando trate da compressa dupla e fria, também
podem ser usados com a compressa quente.

Eliminam o cansaço, relaxam o corpo, descongestionam o peito e aliviam a sinusite. Orientações da Dr. Dian Dincin Buchmam, autora do livro Terapia Pela Água (Ed. Brasiliense).

COMPRESSA SIMPLES E QUENTE PARA O PÉ

Usos terapêuticos: Espasmos do pé, excesso de calor, nevralgia.

Método

Passe creme ou vaselina nos pés. Mergulhe meias compridas de algodão em água quente. Use luvas de borracha para espremer as meias e coloque-as imediatamente nos pés. Mude cada 2-3 horas.

BOLSA DE ÁGUA QUENTE

Usos terapêuticos: Criar calor instantâneo e reconfortar, intensificar quaisquer outras aplicações de calor, alivia cãibras menstruais, acalma e relaxa determinada área, aumenta
a transpiração, alivia a sinusite, alivia a dor.

Antigamente as pessoas empregavam tijolos quentes ou panelas de cobre aquecidas a fim de transferir o calor para o corpo.
Atualmente contamos com bolsas de borracha portáteis e baratas. As aplicações de água quente algumas vezes têm de ser secas, mais mesmo assim precisam possuir a capacidade de
penetração do calor úmido. A bolsa de água vem ao encontro dessa necessidade. Uma bolsa de água quente relaxará o corpo, reduzirá os espasmos e a dor e apressará o processo de cura, na medida em que absorve as detritos celulares. É um instrumento versátil, que deveria ser empregado em todos os lares.

Uma bolsa de água quente pode ser enrolada em uma toalha e aplicada próximo ao abdômen de uma criança com cólicas. As bolsas de água quente podem ser igualmente usadas para
aquecer os pés frios e aliviar cãibras menstruais particularmente doloridas. Diversas bolsas de água quente podem ser empregadas ao mesmo tempo para reação lenta ao calor em um paciente debilitado, exausto ou entorpecido.

Encha 3/4 da bolsa de água quente - nunca fervendo - e enrole-a em uma toalha antes de aplicá-la a qualquer área do corpo .
Se você tem pele sensível, aplique óleo vegetal ou um creme frio, facilmente absorvível, antes de empregar a bolsa. Deixe-a sobre a área afetada até ocorrer alívio.

As bolsas de água quente não devem ser dobradas, pois podem fender-se.

Sal quente, fubá quente ou areia quente podem ser colocados dentro de uma fronha dupla ou o pão pode ser descascado e esquentado se não houver bolsas quentes ao alcance.

Banhos. Energia, vitalidade e resistência!

Orientações da Dr. Dian Dincin Buchmam, autora do livro Terapia Pela Água (Ed. Brasiliense).

Sou viciada em banhos. Gosto deles frios, quentes e neutros. Banhos são rituais prazerosos, no que diz respeito à saúde e à limpeza. Além disso, o banho correto - e há muitos à nossa
escolha - é remédio eficaz e barato.

Muitas culturas antigas recorriam aos banhos por razões rituais e de saúde. O costume contemporâneo de salas de banho pode ter sido criado pelos egípcios e em seguida aperfeiçoado e desenvolvido por outras culturas que se desenvolveram em tomo do Mar Egeu. O banho também era um ritual integral na vida tribal dos judeus. Até mesmo na Idade das Trevas, quando a Igreja via o banho com maus olhos, os judeus mantinham casas de banho públicas. Talvez por essa razão o grupo sobreviveu à mortandade causada pela peste bubônica e outras epidemias.

Os antigos habitantes de Minos deixaram remanescentes de salas de banho nos palácios de Cnosso e Tirinto, a exemplo dos gregos mais antigos, que criaram áreas de banho luxuosas,
com água aquecida, banhos de chuveiro frio e piscinas.
Sabemos através de fragmentos transmitidos verbalmente e por escrito que o eminente médico grego Hipócrates defendia o emprego de banhos como remédio.

Como um dos primeiros e grandes observadores clínicos, ele registrou a existência de uma correlação direta entre o uso de banhos parciais e completos e a cura de muitas doenças.
Hipócrates foi um dos primeiros médicos a afirmar que a natureza deveria ser usada afim de curar o corpo. Compreendeu que a capacidade do corpo para autocurar-se era tão forte que
a natureza necessitava apenas de um impulso para iniciar o processo terapêutico.

Meus banhos favoritos variam de acordo com minha disposição a necessidade. Gosto de banhos quentes para relaxar e aliviar o corpo e superar dores. Banhos quentes prolongados debilitam, no entanto, a energia e o tônus do corpo. A água fria, pelo contrário, restaura o tônus do corpo. Em caso de dor, ou quando se quer relaxar antes de dormir, ou se deseja provocar transpiração para eliminar toxinas, bactérias ou doenças do corpo, banhos quentes ou mornos são eficazes. Do contrário use banhos neutros, frescos ou frios. Não há nada melhor para efeitos tônicos do que água fria. Não importa qual sua preferencia em relação a banhos. Lembre-se de terminar cada banho ou ducha com água fresca ou fria.

A fim de melhorar seu nível de energia, vitalidade e resistência à doença, acostume-se diariamente a andar dentro da água fria ou uma versão desse banho frio.

Banho frio completo
Usos terapêuticos

Estimula o corpo, age como tônico, promove resistência à doença, baixa a febre alta, devido à doença ou a insolação.

Banho frio completo e rápido (para pessoas saudáveis)
Mergulhar em água muito fria é uma experiência estimulante.
Tive minha primeira experiência nesse sentido após uma sauna em Estocolmo. A primeira reação foi um ligeiro choque em todo o corpo e em seguida intenso prazer.

Método

A fim de reproduzir o famoso banho sueco em sua casa, aqueça primeiro o corpo com bebidas quentes ( chás de erva são excelentes), um banho ou uma ducha bem quentes e em seguida mergulhe o corpo em uma banheira cheia de água fria. A primeira sensação é de frio, seguida de uma sensação reconfortante. Ocorrerá, no entanto, uma segunda onda de frio. Deixe, portanto, a banheira, após ter experimentado aquela sensação agradável. Termine sempre esse banho esfregando a toalha vigorosamente em todo o corpo.

Permaneça no banho de 30 segundos a 2-3 minutos, dependendo de sua tolerância. Muitas pessoas que recorrem a esse banho desenvolvem tamanha capacidade nesse sentido que podem permanecer imersas na água durante vários minutos.

Este banho produz uma sensação de vitalidade redobrada. Todos os balneários famosos, na Europa e nos Estados Unidos, encorajam seus freqüentadores a tomar este banho após sessões de sauna ou de vapor, pois ele revitaliza completamente o corpo.

Não recorra a este banho se tiver doenças orgânicas, pressão alta, temperamento nervoso, estiver fraco, se for muito velho, muito jovem, se tiver coração fraco, colite ou enrijecimento das artérias, pois nesses casos a reação do corpo é negativa. A temperatura do banho deve estar abaixo de 18,3°C.

Banho frio completo e prolongado (para pessoas doentes)
Usos terapêuticos

Febre alta, prostração devida ao calor, febre tifóide, tifo.“O banho frio é uma medida saudável, diante da qual todas as demais deveriam ser postas de lado”, diz o Dr. H. A. Hare em relação a seu tratamento anti-febre, algumas vezes denominado “Banho Brand”.

Método

Primeiro aqueça o paciente com uma bebida quente, banho de chuveiro quente, compressas quentes e úmidas, bolsa de água quente ou qualquer outro método. Em seguida molhe suavemente o rosto do paciente com água fria.

Coloque cuidadosamente o paciente em água fresca (18,3 °C a 23,9 °C). Massageie constantemente o paciente a fim de manter o sangue sob a pele. A massagem também pode ser praticada enrolando um lençol molhado em torno do paciente antes que ele entre no banho. O lençol é em seguida esfregado constantemente a fim de criar uma fricção adicional. O paciente deve permanecer no banho apenas por alguns segundos. Esse banho também é denominado banho com lençol úmido.

O banho frio de imersão do Dr. Brand foi posto em prática em 1861, durante uma epidemia de tifo. Desde então o banho, combinado com massagens constantes, salvou a vida de muitas
vítimas do tifo e da febre tifóide. Este banho só deve ser empregado em emergências gravíssimas, pois constitui grande choque para o corpo.

Banho quente completo
Usos Terapêuticos

Alivia a dor, elimina o cansaço após exercícios (curtos), reduz os espasmos musculares, alivia a congestão interna, relaxa e acalma o corpo, provoca transpiração.

Banhos quentes são úteis no sentido de relaxar o corpo, aliviar a dor e eliminar toxinas através da pele. Podem também ser usados para aquecer o corpo, tendo em vista outras
terapias por meio de água fria. Emprego banhos quentes (algumas vezes acrescentando ervas e substâncias medicinais) após fazer exercícios ou para ajudar a cortar um resfriado.
Os banhos quentes, entretanto, diminuem a energia. Não deixe de aplicar uma compressa fria sobre a fronte a fim de contrabalançar a fuga do sangue da cabeça.

Método

Encha a banheira completamente. Controle inicialmente a água, mantendo-a na temperatura do corpo ou ligeiramente mais alta e aos poucos vá aumentando a temperatura, até ela se tornar tão quente quanto o corpo possa tolerar.

Ajeite o corpo de tal maneira que a cabeça repouse confortávelmente em um pequeno travesseiro de borracha ou em uma toalha enrolada, estando todo o resto do corpo completamente sub-merso. Aplique uma compressa fria sobre a cabeça e mantenha-a durante a duração do banho. Permaneça no banho de 2 a 20 minutos, dependendo da necessidade e do fato de sentir-se bem. Quando o banho começar a esfriar, solte um pouco de água e substitua por água quente da torneira. Faça isto tantas vezes quanto for necessário afim de manter a temperatura desejada.

Se o banho for destinado a provocar transpiração, não acrescente água fria, mas saia da banheira, enrole completamente o corpo em toalhas, afim de não apanhar friagem e vá imediatamente para a cama, cobrindo-se com cobertores (ou então empregue a técnica de lençóis úmidos ou do cobertor aquecido).

Se o banho não tem o propósito de desintoxicar ou provocar transpiração, termine-o deixando sair gradualmente toda a água quente e substituindo-a por água fresca. Como passo final, derrame água fria por todo o corpo. Saia da banheira e seque o corpo, esfregando-o vigorosamente com uma toalha felpuda.

Banho quente completo e rápido

Um banho quente de dois minutos assemelha-se a uma aplicação fria e é de grande valia na recuperação do cansaço, após um exercício. Um banho frio e rápido elimina o cansaço
metabólico e estimula os centros nervosos.

Banho quente completo e prolongado

Um banho quente prolongado, com a duração de 20 a 60 minutos, é a terapia indicada nos casos de artrite, gota, vesícula biliar, nevralgia, bronquite e aliívio da fadiga muscular.

Não deve ser nunca usado por pessoas muito idosas, muito jovens, fracas ou anêmicas ou por quem tem doenças orgânicas graves ou tendência à hemorragia.

Ótimo em qualquer idade, o banho de fricção indicado pela Dra. Dian Dincin Buchman pode ser praticado em casa.

Massagem com água fria aplicada com as mãos ou com material de fricção (esponjas, buchas ou luvas) exerce efeito tônico profundo sobre o corpo. Banho frio mais fricção estimula e cria uma reação circulatória e de calor no interior do corpo.
Todas as técnicas de fricção são muito valiosas para pacientes debilitados ou acamados.

Existem quatro banhos tônicos com fricção: banho com esponja, massagem com luvas frias, banho com escova e banho com massagem de sal.

Banho com esponja

Usos Terapêuticos

Para pacientes fracos, quando o corpo está superaquecido, em casos de insônia, quando se precisa da água como remédio, para reduzir a febre.

Este é o mais simples dos banhos com fricção. Geralmente bastam alguns litros de água. Em emergência, basta meio litro. Lembre-se: banho com esponja morna acalma, banho com
esponja fria estimula.

Método

Borrife o rosto com água morna. Mergulhe a esponja na água (ou na água misturada com uma pequena quantidade de vinagre de maçã) e passe a esponja no corpo gradualmente, mantendo cada parte do corpo quente ou coberta. Pode-se também adicionar à água sal ou bicarbonato de sódio.

Esfregue vigorosamente a pele com a esponja até que ela fique razoavelmente vermelha, começando pela parte superior do corpo. Não deixe de voltar a passar a esponja nas partes
superiores do corpo a fim de evitar friagens (especialmente quando se quer reduzir uma febre).

Assim que terminar de usar a esponja, enrole uma toalha no corpo, esfregando até secar. Agite as cobertas, para refrescá-las, coloque um cobertor leve sobre o corpo e dê uma
cochilada.

Massagem com luvas frias

Usos Terapêuticos

Como tonificante geral, para pessoas que se resfriam com freqüência, para reconstituir o vigor físico, para pacientes acamados, para pressão sangüínea baixa, para pacientes fracos
demais para se banhar, para estimular a circulação inativa.

Trata-se de um banho esplêndido para pacientes debilitados ou acamados, pois o emprego de material de fricção áspero e mais a água fria agem como um tônico para o corpo. O uso deste banho simples por área melhora a circulação do sangue, o que, por sua vez, ativa o processo de autocura interna.

Método

Cubra o corpo completamente e exponha apenas uma pequena área de cada vez. Inicie o processo borrifando levemente o rosto com água fria. Para pacientes excepcionalmente velhos, fracos ou com problemas cardíacos, é desejável aplicar uma compressa fria sobre a cabeça e uma bolsa de gelo sobre a área do coração. Isto faz com que a circulação permaneça nas outras áreas do corpo.

Você precisará de uma panela com água fria, diversas toalhas, duas luvas de pano felpudo e um gancho para pendurar as toalhas. Coloque as luvas, pois os dois movimentos simultâneos de fricção aumentam a reação tônica. Mergulhe as luvas na panela de água fria e comece dando batidas no braço direito, esfregando e lavando ao mesmo tempo. Assim que
terminar de esfregar, seque a área esfregando vigorosamente.

Cubra a área e descubra a próxima área. A seqüência preferida é o braço esquerdo, braço direito, peito e ombros, abdômen, perna esquerda (levante a perna para poder trabalhar na parte posterior) e perna direita. Em seguida vire o paciente, lave e friccione as costas e as nádegas. Siga a mesma seqüência: friccionar, secar e cobrir. O paciente sentir-se-á repousado e reenergizado e dormirá mais facilmente.

Tendo em vista a desintoxicação ou para ajudar abaixar a temperatura adicione à água fria meia xícara de vinagre de maçã ou várias colheres de sopa cheias de sal grosso ou bicarbonato de sódio.

Banho com escova (escova, pano de juta ou bucha)

Usos Terapêuticos

Para aliviar a asma, para estados de fraqueza, como preparativo para tratamentos vigorosos, para remover tecido morto, após uma sauna.

O melhor banho com escova que tomei até hoje foi nos Banhos Studevant, em Estocolmo. O emprego da escova é coisa rotineira após uma sauna e um mergulho em piscina de água
fria age como massagem, limpa profundamente os poros do corpo e o tonifica.
Este banho pode ser usado para inválidos ou por pessoas saudáveis, afim de remover as células da pele morta.

Método

Ensaboe todo o corpo com um sabonete emoliente, não abrasivo, ou com óleo de abacate. Mergulhe uma escova que não seja de náilon, pano de juta ou uma bucha em água quente e escove a pele durante dois ou cinco minutos, fazendo movimentos circulares até que a pele se torne vermelha e o corpo se sinta revigorado. Termine o banho com um banho de chuveiro
morno, reduzindo gradualmente a temperatura da água até que se torne fresca.

Semicúpio
(banho sentado ou meio-banho)

Usos terapêuticos

Os usos terapêuticos serão descritos quando nos referimos a cada temperatura e à duração do banho.

O semicúpio ou banho sentado consiste em um banho com água dando pela altura das nádegas. No meio-banho a água vai até às cadeiras e até metade do baixo ventre. Tais banhos exercem efeito fisiológico profundo sobre o corpo, a água quente, fria ou tépida age somente sobre uma seção localizada no corpo. Um banho frio sentado ou ajoelhado, tomado
diariamente, ajudará a desenvolver a resistência e o vigor, a exemplo dos banhos frios para os pés.

Método

Deixe somente as nádegas, a parte superior das coxas e o baixo ventre em contato com a água. Use uma banheira portátil, um bidê ou entre na banheira, cheia com um ou dois
palmos de água. Neste último caso apóie as pernas sobre um travesseiro de borracha ou eleve-as, cobrindo-as com toalhas quentes ou mesmo com um cobertor. Algumas vezes os pés podem ser imersos simultaneamente em um recipiente com água quente.
Isto apressa a reação do corpo ao semicúpio.

Durante um semicúpio, mantenha as pernas e o resto do corpo aquecidos através de massagem. Impeça que o peito se esfrie usando uma camisa ou envolvendo os ombros e a parte superior do corpo com toalhas de banho.

Use uma compressa fria na cabeça, sempre que recorrer a um semicúpio quente.

Semicúpio frio

Antes de usar o semicúpio frio, borrife primeiramente o rosto, pescoço e mãos com água fria.

Semicúpio frio e breve

Usos terapêuticos

Fraqueza, inflamação, constipação, corrimento vaginal, menstruação atrasada, impotência, circulação precária nos órgãos abdominais.

Um semicúpio frio de breve exerce efeito tônico notável sobre o corpo. Este banho, bem como o semicúpio fresco, podem ser usados todo dia por pessoas saudáveis, a fim de aumentar o tônus abdominal. promovendo o desenvolvimento interno do intestino; o banho ajuda a superar a constipação.

Para conseguir um estímulo abdominal adicional, esfregue o abdômen fazendo um movimento em forma de U, no sentido horário.

Temperatura do banho: 10 ºC a 21ºC. Duração: 2 segundos a 2 minutos.

Semicúpio fresco e breve

Usos terapêuticos

Constipação, incontinência urinária, fraqueza na vesícula, infecção uterina crônica, congestão crônica da próstata, congestão do fígado e do baço e hemorróidas.

Adicione ácido ascórbico a este banho a fim de superar infecções genitais ou da vesícula, bem como promover a cura das hemorróidas. Use de 1 xícara a 5 litros fresca e até 1
xícara de cristais de ácido ascórbico (vitamina C)

Temperatura do banho: 21 °C a 26,5 °C. Duração: 5 minutos.

Semicúpio frio e prolongado

Usos terapêuticos

Calmante, hemorróidas muito doloridas, diarréia crônica, disenteria inflamação na próstata.

Ao contrário do semicúpio frio e breve (tônico), que promove o peristaltismo e, portanto, ajuda a superar a constipação, um semicúpio frio e prolongado (sedativo) ralenta ou inibe a
peristalte e ajuda a superar uma diarréia grave.

Temperatura do banho: 21 °C. Duração: 10 minutos.

Semicúpio tépido
Semicúpio breve e tépido

Usos terapêuticos

Baixa rapidamente a febre.

Temperatura do banho: 29,5 °C a 32°C. Duração: 15 minutos.

Semicúpio prolongado e tépido

Usos terapêuticos

Calmante para cólicas agudas, supera espasmos uterinos.

Aplique uma compressa fria à fronte. A temperatura da água, no início, deve ser de 29,5 °C. aumente gradualmente a temperatura até que fique tão quente quanto você possa tolerar.

Semicúpio prolongado e quente

Usos terapêuticos

Alivia menstruações dolorosas, supera regras atrasadas (causadas por friagem), alivia a dor das hemorróidas relaxa espasmos vaginais, supera constipação espástica, alivia a cistite (aguda), alivia ciática aguda (um meio-banho, até a cintura, pode ser igualmente empregado), promove a transpiração (pode-se também usar meio-banho).

Um semicúpio prolongado e quente age rapidamente, no sentido de aliviar a área pélvica e dor abdominal aguda.

Durante este banho aplique uma compressa à fronte e beba líquidos à vontade. Comece esta série de banhos com água na temperatura do corpo ou ligeiramente mais alta (33,5 °C a
36,5°C) e aos poucos, à medida que os dias e as semanas aumentem sua tolerância, chegue a 49 °C. tome cuidado com a friagem, mantenha o peito completamente coberto e conclua o
banho passando uma esponja com água morna ou tomando um banho de chuveiro, no qual a água se torna cada vez mais fria.

A temperatura da água no banho pode ser aumentada aos poucos (meio grau por dia), removendo-se o conteúdo de 1 xícara e substituindo-o cada dois minutos por água extremamente quente. Cada substituição aumentará a temperatura em cerca de
meio grau.

Semicúpio alternado (quente e frio)

Usos terapêuticos

Congestão abdominal, hemorróidas, inflamação da próstata, fraqueza sexual.

A água quente e fria alternada produz no corpo reações sedativas e reenergizadoras. O efeito geral é tônico.

Método

Use duas bacias, uma com água muito quente, outra com água fria. Sente-se primeiro na bacia quente durante 3 minutos e em seguida na bacia fria durante 1 minuto. Se for possível
usar duas bacias, lance mão da mesma seqüência e borrife água nas extremidades inferiores. Alterne a água fria 6 vezes.
Termine sempre com água fria.

Para a cura das hemorróidas, adicione vários tabletes de cristal de ácido ascórbico a cada bacia.

Banho no olho

Usos terapêuticos

Reduz a inflamação
Reduz a dor no olho ou em volta dele
Alivia terçóis
Fortalece o olho
Remove objetos estranhos no olho

O olho é muito receptivo á terapia pela água. Isto se deve não somente à sua sensibilidade , como também ao fato de que as terminações nervosas e os músculos do olho podem ser
estimulados diretamente pela água.

Método

Use uma medida de uísque, esterilizada, ou um copinho para lavar os olhos, encontrados em qualquer farmácia. Encha com água morna. Aplique diretamente ao olho aberto e lave
bastante.

Para fortalecer e tonificar o olho, borrife água fria nele aberto ou fechado, logo que se levantar e quando for deitar.
Compressas quentes, frias e medicinais aliviarão a inflamação do olho, terçóis e dores que se originam na região ocular..

Banho no ouvido

Usos terapêuticos

Remove cera endurecida
Remove inseto e objetos
Reduz a inflamação e abscessos
Lave cuidadosamente o ouvido com uma seringa pequena. Use água morna.

Banho na cabeça

Usos terapêuticos

Insolação
Histeria
Congestão da cabeça
Alguns casos de epilepsia
Há dois tipos de banho na cabeça:

Deitado de bruços

Coloque no chão, ao lado da cama, uma tina ou um grande recipiente, deite-se de bruços na cama, com a cabeça por cima do recipiente. Faça com que joguem água tépida na parte
posterior da cabeça, da maior altura possível. Continue até que sobrevenha o alívio.

Deitado de costas

Deite-se de costas com a parte posterior da cabeça repousando em uma bacia rasa, cheia de água fresca. Peça a alguém para banhar-lhe a fronte, o rosto e as têmporas. Continue com esse procedimento, até que o calor excessivo seja removido ou então baixe pelo corpo. Pode-se também aplicar uma compressa fria sobre a cabeça e em seguida derramar sobre ela água fria. Isto, ao mesmo tempo que intensifica a ação, mantém a região mais fria.

Banho no nariz

Usos terapêuticos

Catarro agudo ou crônico
Apesar de a irrigação nasal não parecer natural ou fácil, é praticada com grande sucesso por aqueles que desejam manter o nariz livre de poluentes e descargas naturais.

Método

Adicione uma colherinha de sal a meia xícara de água tépida.
Ponha a água na palma da mão e aspire através de cada narina, o que resulta em uma ação antisséptica eficaz.

Banho de gotas

Usos terapêuticos

Inflamação
Ferimentos
Distensões
Contusões

A ação capilar de uma mexa de algodão embebida em água é bastante conhecida, quando se quer regar lentamente as plantas. Este mesmo arranjo engenhoso pode ser utilizado para
refrescar um ferimento, uma contusão, uma distensão ou inflamação, particularmente nos casos em que não se pode empregar gelo.

Método

Coloque uma panela cheia de água fria em uma prateleira ou estante acima de você. Disponha-se de tal maneira que a região afetada se encontre embaixo da panela. Coloque a
extremidade de uma meada de algodão da panela e dirija a outra extremidade para a beira da estante, fazendo com que ela fique pendurada. Graças a ação capilar, a água percorrerá
o algodão e cairá gota a gota pela extremidade pendente.

Extraído do Jornal Vida Integral – website

  2003 - Nova Era