Um Índio

Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante

De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

E pousará no coração da América num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena

E o espírito dos pássaros, das fontes, de água límpida

Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá...

Um índio preservado em pleno corpo físico

Em todo sólido, todo gás e todo líquido

Em átomos,
palavras,
alma,
cor,
em gesto,
em cheiro,
em sombra,
em luz,
em som,
magnífico

Num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico

Do objeto sim, resplandecente, descerá o índio

E as coisas que sei que ele dirá, fará, não sei dizer assim de um modo explícito

Virá...

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos não por ser exótico

Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio

Virá, impávido que nem Muhammad Ali

Virá que eu vi, apaixonadamente como Peri

Virá que eu vi, tranqüilo e infálivel como Bruce lee

Virá que eu vi, o axé do afoxé Filhos de Gandhi

Virá ...

(Caetano Veloso)

 

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