Torre Luciani procurou Schaibhalah: - O Sr. pode me ajudar, perguntou? Estou com uma questão a resolver, e queria consultar o Tarô. Ao verificar, durante a interpretação do jogo, que a carta da torre veio e que mostrou, como primeira impressão, que o relacionamento estava ruim, ou ruindo, perguntou: - E como está o relacionamento? -Bom, respondeu Luciani, muito bom. Não conseguindo interpretar a questão, depois um tempo, voltou a perguntar: - E o relacionamento como está? - Ótimo, respondeu Luciani. Eu já lhe disse. Schaibhalah, desconcertado, sem ainda conseguir interpretar a carta, discorreu sobre alguns outros assuntos, e, novamente, perguntou: - Pois, como está mesmo o relacionamento? Luciani, preocupada, respondeu: - Eu já lhe disse: está ótimo, mas me parece que o Sr. não está muito bem. Talvez deva retornar outra ocasião. Shaibhalah pôs-se a pensar. Depois de um tempo, disse: - Peraí! Se está assim tão bom o relacionamento, o que viestes, então, fazer aqui? Como é afinal "Tão bom?"? -Bem, disse Luciani. É assim: ontem à noite, por exemplo, me telefonou. Eram 2h da manhã. Convidou-me para irmos juntos até o pico de uma montanha para observarmos o luar. Oh! Era tão lindo!!! - Afinal, disse outra vez Shaibhalah, o que queres aqui? - Sabe o que é? É que eu queria morar com ele, e queria me casar com ele, morar junto a ele. - E por que não vai? - Não sei se ele quer. - E porque não pergunta? - Pois é isto, disse Luciani, estou perguntando ao Sr. - Ora, disse Shaibhalah, e por que não vai lá e pergunta diretamente a ele? - Bem, acontece que, da última vez que perguntei a alguém se queria morar comigo, nunca mais o vi. - Ahá! Então é isto. É isto que esta torre está fazendo aqui. Ruindo. - Como assim? - Bem, explicou Sahaibhalah. Devido a outras frustrações anteriores, agora, tens medo. Tens medo de sair outra vez com o orgulho ferido. Então, construístes uma proteção. Em torno de si mesma, levantastes uma torre, torre esta que tem o objetivo de não permitir que ninguém perceba os seus sentimentos. Deixastes uma pequena janelinha em cima para expiar para fora e comunicar-se com o mundo, e uma abertura embaixo, onde colocastes um dragão que cospe fogo diante da qualquer aproximação. - Sabe, continuou Schaibhalah, as fábulas não foram escritas para fazer crianças dormirem, embora sirvam para isto também, mas foram escritas para despertarem adultos. Conheces uma fábula em que a princesa está presa na torre do castelo, e na porta tem um dragão para guardar a entrada? - Pois bem, continuou, esta torre e este dragão são seus, são sua criação. Destrua a torre, chute o dragão, vá até seu príncipe, e, a propósito, conheces também a fábula em que a princesa, à beira da lagoa, beija o sapo e descobre nele um príncipe? O beijo representa a expressão máxima de amor. Vá lá e beije o seu príncipe. - Sim, disse Luciani, compreendi, mas estou também assustada, pois me pareceu que tem a possibilidade de meu príncipe ser um sapo outra vez, e, daí, o que farei? - Saberás, disse Sahaibhalah, saberás. E somente sabendo se é ou não, conseguirás escolher se o queres ou não. Escondendo-se nesta torre, jamais saberás o que tem lá fora, jamais saberão o que tens aí dentro. Mostre sua mais nobre existência. Isto atrairá quem realmente quer seu amor. by Jorge Luiz Brandt |
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