Raízes no Céu.

Quando nascemos, e se isto acontece de maneira natural, talvez no parto de cócoras, o que nasce primeiro é a cabeça, em direção ao solo, ou ao CHON. Os pés para cima, apontando para as nossas raízes, que estão no céu. "Por isto, apanhei na bundinha. Colocaram-me com a cabeça para cima e os pés para baixo, mostrando onde deveriam estar meus pés.

Levei muito tempo para me habituar a andar assim. Para conseguir me equilibrar. Para andar no solo com a cabeça erguida. 'Cabeça para cima, nariz empinado, peito pra frente, pés firmes no chão.' Gestos estes, que representam o domínio material, ou sobre a matéria.

[Os olhos vêem as imagens de cabeça para baixo. O cérebro precisa reverter as imagens, para que possamos percebê-las com a cabeça para cima.]

Assim, comecei a aprender tudo sobre o mundo onde pisava, também aprendi sobre o poder que tudo governa. Muitas vezes, submeti-me a ele, poucas, estive no trono. Nunca estive feliz. Em nenhuma das extremidades. Quando submetido ao poder, estava o conflito de o alcançar. Quando, no trono, o conflito de o conservar. Quando em conflito, a ausência da paz.

Meu cérebro, ainda assim, trabalha, até hoje, para fazer a reversão das imagens, que meus olhos não conseguem, por perceberem de maneira invertida. Minha mente material nega o espírito, e inverte, também, os valores. Então, trabalho somente em função do corpo e de suas necessidades.

Para que serve isto?
Para que serve todo o conforto da matéria, se não me pode fazer feliz?

Dou conta de que todo o trabalho que faço para mim, de fato, não serve para nada. Todo o trabalho só começa a ter valor, quando trabalho para os outros, sem nada reter para mim. Assim, inicio o processo de reverter a percepção. Com a percepção correta, inicio, de fato, o processo de aprendizado, e, assim, volto a reconhecer minhas raízes no céu".

Isto é o retorno ao pai.

by Jorge Luiz Brandt

 

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