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Mestre, por que eu?
Em um jantar que ficou muito famoso, um mestre disse a seus discípulos. - Ainda, esta noite, alguém dentre vós me entregará aos romanos. Um deles levantou-se e disse: - Acaso serei eu mestre? - Sim, disse o mestre, é você. - Mestre, por que eu? - falou o discípulo angustiado. - Vai, e faz o que tens a fazer, para que se cumpram as escrituras. - Mas mestre, retrucou, por que eu? - Porque só você é capaz. Ao ouvir isto, do outro lado da mesa, alguém levantou a voz. - Acaso eu não seria capaz? - Não, não seria capaz! Em verdade, vos digo: ainda hoje, antes do galo cantar, você me negará três vezes. Temos, aqui, algo a considerar. Primeiro: O que seria mais difícil a um discípulo do que trair seu amado mestre? Sim, esta pessoa deveria ter muita coragem, muita força. Segundo: O mestre conhece todo o plano, sabe o que tem a ser feito, e tudo o que vem a seguir, e também para que serve isto. Terceiro: Nestas condições, devemos, então, entender que a traição nunca existiu para o mestre. Isto somente aconteceu na mente do discípulo. O discípulo acredita na traição. O mestre conhece a missão. Há aqui uma grande coincidência com as cartas do tarô. Judas teria traído o mestre por 30 moedas. Judas teria se enforcado, por não suportar em sua mente a idéia de ter traído o seu amado mestre. A carta doze do tarô mostra o arquétipo do enforcado. Doze foram os discípulos de Jesus. Na matemática da numerologia, somamos os algarismos para alcançar a unidade. Assim, a soma dos números do algarismo 12 é igual a 3 e a de trinta moedas, também: 3+0=3. Segundo se sabe, o tarô é anterior a Jesus. Como Judas ainda alimentava a crença da traição, assim como os demais discípulos, criou-se, em torno desta estória, o estigma da traição, que de fato nunca ocorreu. A carta doze do tarô faz alusão ao sacrifício voluntário e consciente em troca de um ideal evolutivo. Assim, Judas fez o que fez, consciente de que o estava fazendo, era a pedido de seu mestre. by Jorge Luiz Brandt |
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