Pontos de Fuga 

Um amigo, muito atrapalhado, costumava dizer que 
suas dificuldades, as quais não assumia totalmente, 
deviam-se ao fato de não pertencer a este planeta.
Assim, dizia ter vindo de outro planeta em missão, 
que ora buscava identificar, participando, para isto, 
de um grupo de ufologia, onde se estudavam e 
pesquisavam fenômenos ufológicos.
 
Assim, diante de suas trapalhadas, ouvia-se sempre 
a mesma  desculpa:
- É que não consigo me habituar a este planeta, 
tenho dificuldades de adaptação.
     
Um dia, disse a ele que queria lhe fazer uma confidência: 
- Eu também não era deste planeta.
Veja, disse eu, tenho uma perna 5 cm. mais curta 
que a outra. 
Deve-se ao fato de que, no planeta de onde vim, 
o chão não se encontra no plano horizontal  como aqui. 
Lá, de onde vim, o planeta é todo em declive, 
assim como andar na praia. Tampouco é redondo, 
sendo uma reta sem fim, donde se anda  sempre em 
frente, pois o retorno complicaria a caminhada.
 
Ao que ele me perguntou:
- Mas esta perna mais curta que tens não é, então, 
devido a um acidente?
Ao que eu lhe perguntei:
- Mas este seu jeito atrapalhado então não é devido 
a uma deficiência?
Assim, podemos aceitar o que somos, e olharmos 
para dentro a fim de verificar o que contemos, 
suprindo nossas deficiências naturais de maneira lógica, 
ou, então, empreendermos fugas ilógicas para sustentar 
em nossa mente possibilidades que não levam a 
nada e a lugar nenhum.
Nossas deficiências podem ser físicas, aparentes ou 
não; emocionais, aparentes ou não; mentais, 
aparentes ou não. 
A compreensão de que isto nada significa, pode nos 
levar ao caminho da evolução.
Esconder nossas deficiências prende-nos a elas e, 
então, não importa a que grupo  pertençamos, se 
não investirmos em desfaze-las. Com intenso trabalho 
dirigido, a cura interior de nada nos valerá.

by Jorge Luiz Brandt

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