| Pirâmides
Nasci no Rio Grande do Sul, próximo ao local, onde os jesuítas fundaram
os 7 povos das missões.
Região, onde os jesuítas iniciaram a catequização dos nativos.
Ouvi dizer, de um ancião, a respeito de um jesuíta que viera de locais
distantes, tendo, antes, conhecido a Arábia e, também, o Egito.
Ao chegar à região das missões, descobriu, andando na floresta, uma pirâmide
feita de taquara.
Atraído pelo objeto que não lhe era desconhecido, resolveu medí-lo, e
descobriu que as proporções eram equivalentes a da "grande pirâmide".
Intrigado com o fato de encontrar este objeto a milhares de quilômetros
de distância do Egito, resolveu investigar esta estranha coincidência.
Foi aos índios, e descobriu um pequeno índio fazendo outro destes objetos.
- É uma arapuca, disse o indiozinho.
-Poderias fazer uma maior para mim? perguntou o Jesuíta.
Uma arapuca maior lhe foi entregue, e as proporções continuavam iguais
a da grande pirâmide do Egito.
Isto, o pequeno índio não soube explicar.
Foi, então, o Jesuíta perguntar aos índios mais velhos, que tampouco sabiam
explicar estas medidas, alegando que sempre fizeram assim. Que a maneira
certa de fazer era aquela.
Encontrou-se, então, com o índio mais velho da tribo, um sábio ancião,
que lhe disse:
- Sempre fizemos arapucas assim. De onde vem esta estrutura, não sei,
meus antepassados já a faziam. Sei para que serve, mas não o porquê de
serem feitas assim.
Servem para prender pássaros e pequenos animais nas flores, e que a forma
serve para conservar a vida. Sei que, se fizéssemos a arapuca quadrada,
os animais ficariam presos até por vários dias, sem alimento e água, e
pereceriam.
Sei que a forma como são feitas podem preservar e prolongar a vida.
Apenas isto.
Ouvi dizer.
by
Jorge Luiz Brandt |