| O homem sem sorte Vivia perto de uma aldeia um homem, um homem que era completamente sem sorte. Nada do que ele fazia dava certo. Muitas vezes ele plantava sementes e o vento vinha e as levava, outras vezes, era a chuva, que vinha tão violenta e carregava as sementes. Outras vezes ainda, as sementes permaneciam sob a terra, mas o sol, era tão quente, que as cozinhava. E ele se queixava com as pessoas e as pessoas escutavam suas queixas, da primeira vez com simpatia, depois com um certo desconforto e enfim quando o viam mudavam de caminho, ou entravam para dentro de suas casas fechando portas e janelas, evitando-o. Então além de sem sorte, o homem se tornou chato e muito só. Ele começou a querer achar um culpado para o que acontecia com ele. Analisando a situação de sua família percebeu que seu pai era um homem de sorte, sua mãe, esta tinha sorte por ter se casado com seu pai, e seus irmãos eram muito bem sucedidos, pois então, se não era um caso genético, só poderia ser coisa do Criador. E depois de muito pensar resolveu tomar uma atitude e ir até o fim do mundo falar com o Criador, que como Criador de tudo, deveria ter uma resposta. Arrumou
sua malinha, algum alimento e partiu rumo ao fim do mundo. Andou um dia,
um mês, um ano e um dia, e pouco antes de entrar numa grande floresta
ouviu uma voz: Ele
falou: O
homem refeito do susto respondeu: - Se eu não tenho forças nem para ir ao rio beber água... Faça este favor para mim. Você está indo vê-lo, pergunte o que está acontecendo comigo. O homem fez um sinal de insatisfação e disse que estava muito preocupado com seu problema, mas se lembrasse, perguntaria. Virando as costas, continuou seu caminho. Andou
um dia, um mês, um ano e um dia e de repente, ao tropeçar
numa raiz, ouviu: Levantou-se
e observando suas raízes desenterradas, seus galhos retorcidos,
sua casca soltando-se do tronco, falou: A
árvore, com uma voz de muita dor, disse: Contrariado, o homem virou as costas com mais uma incumbência. Andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou a um vale muito florido, com flores de todas as cores e perfumes. Mas o homem não reparou nisto. Chegou até uma casa e na frente da casa estava uma moça muito bonita que o convidou a entrar. Eles
conversaram longamente e quando o homem deu por si já era madrugada.
Ele se levantou dizendo que não podia perder tempo e quando já
estava saindo ela lhe pediu um favor: O homem prometeu que perguntaria e virou as costas e andou um dia, um mês, um ano e um dia e chegou por fim ao fim do mundo. Sentou-se e ficou esperando até que ouviu uma voz. E uma voz no fim do mundo, só podia ser a voz do criador... - Tenho muitos nomes. Chamam-me também de Criador... E
o homem contou então toda a sua triste vida. Conversou longamente
com a voz até que se levantou e virando as costas foi saindo, quando
a voz lhe perguntou: - Tem razão... E voltou-se para ouvir o que tinha que ser dito. Depois
de um tempinho virou-se e correu... mais rápido que o vento até
que chegou na casa da jovem. Como ela estava em frente à casa,
vendo-o passar chamou: - Sim!!! Claro! O Criador disse que minha sorte está há muito no mundo. Basta ficar alerta para perceber a hora de apanhá-la! - E quanto a mim, você teve a chance de fazer a minha pergunta? - Ah! O Criador disse que o que você sente é solidão. Assim que encontrar um companheiro vai ser completamente feliz, e mais feliz ainda vai ser o seu companheiro. A jovem então abriu um sorriso e perguntou ao homem se ele queria ser este companheiro. - Claro que não... Já trouxe a sua resposta... Não posso ficar aqui perdendo tempo com você. Não foi para ficar aqui que fiz toda esta jornada. Adeus!!! Virando
as costas, correu mais rápido do que a água, até
a floresta onde estava a árvore. Ele nem se lembrava dela. O Criador disse que você tem embaixo de suas raízes uma caixa de ferro cheia de moedas de ouro. O ferro desta caixa está corroendo suas raízes. Se você cavar e tirar este tesouro daí vai terminar todo o seu sofrimento e você vai poder virar uma árvore saudável novamente. -
Por favor!!! Faça isto por mim!!! Você pode ficar com o tesouro.
Ele não serve para mim. Eu só quero de novo minha força
e energia. O homem deu um pulo e falou indignado: Virando as costas correu, mais rápido do que a luz atravessou a floresta, e chegou onde estava o lobo, mais magro ainda e mais fraco. O
homem se dirigiu a ele apressadamente e disse: Nesse momento, os olhos do lobo se encheram de um brilho estranho, e reunindo o restante de suas forças, o lobo deu um pulo e comeu o homem "sem sorte". "SOMOS
O QUE FAZEMOS, MAS SOMOS PRINCIPALMENTE |
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