Moralidade  (Versão Original)

"A justiça impele ao agir, mas não age por ambição".
Lao Tsé

Aqueles que possuem em alto grau os atributos do Tao não buscam mostrá-los e
desta forma, os possuem na plenitude.

Aqueles que só os possuem superficialmente empenham em não perde-los e,
portanto, não os possuem na forma mais plena.

Aqueles que possuem no mais lato grau esses atributos nada fazem com uma
finalidade em vista e, desta forma, não têm necessite de coisa alguma.

Aqueles que possuem a mais alta benevolência estão sempre procurando
manifestá-la sem necessidade de assim proceder.

Aqueles que possuem o mais alto sentido de propriedade estão sempre
procurando afirma-lo, e quando os homens não lhes dão atenção, arremetam em
fúria contra eles.

Desta forma, o Tao é perdido e seus atributos aparecem

Quando se perdem os seus atributos, a benevolência aparece.

Quando se perde a benevolência, a correção aparece .

Quando aparece a correção, as propriedades aparecem.

Assim, a propriedade é atenuada sob a forma de um coração fiel e de boa fé,
e isto é também o começo da desordem.

A rápida apreensão é apenas uma flor do Tao e é o principio da estupidez.

Desta forma, o grande homem retém o que é solido e deixa de lado o
evanescente. Mora com o fruto e não com a flor. Rejeita um e escolhe outro.

...
Tao Te King.

Interpretação


REFERÊNCIAS A MESTRES E DISCÍPULOS:

O Mestre não age por ambição pois possui em alto grau os atributos do Tao.

O Mestre consciente do seu Ser, nada sabe de virtuosidade, que deles brotam
naturalmente.

O mestre que vive nos abismos da sua alma ignora a moralidade do seu agir.

O discípulo que vive na superfície da sua alma age egoisticamente visando
fins materiais.

O Mestre, que vive na plenitude do Ser, não quer nada para si. A justiça
impele-o a agir mas ele não age por ambição.

O mestre se não consegue o que quer, recorre à violência, por isso o
discípulo não o reconhece mas o Mestre consegue pelo seu próprio exemplo.

O Mestre age por uma lei interna, e não por mandamentos externos.

O Mestre bebe a água da fonte e não dos canais.

O discípulo não sabe que aquele que bebe água dos canais está sujeito a
absorver impurezas e se contaminar.

O Mestre sabe que há os que vivenciam bem o Tao, para estes não existem
atributos, mesmo assim brilham como estrelas que não têm quaisquer
pretensões de mostrar o seu brilho.

Os discípulos que ainda não têm os atributos do Tao na maioria das vezes
agem sem quaisquer necessidades.

O discípulo ainda não sabe que aquele que julga poder substituir a
inteligência pela cultua do coração, esse é um tolo.

Os mestres que ignoram o que está acontecendo não consegue agir
naturalmente; por isto, tentam fazer o que acham certo, e se isto falhar
eles tentam coagir. Mas o Mestre que não visa o imediatismo permanece
tranqüilo e renuncia a todo o esforço até que lhe volte a percepção clara, e
então tudo se resolve.

 

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