Mas afinal o que é a VERDADE?

Certa feita na Índia, um mestre budista foi acordado abruptamente de seu repouso pelo barulho, provocado pela discussão acalorada de um grupo de novatos no mosteiro. Após molhar o rosto, com o fim de aliviar o torpor do sono interrompido, dirigiu-se para o local da contenda a fim de averiguar o que se passava.

Os jovens monges do grupo de aspirantes à iluminação, vociferavam entre si palavras que demonstravam o profundo de suas opiniões sobre um dado assunto. Formavam partidos que se agrupavam como pequenos exércitos, se digladiando através das palavras.

Ao perceberem a presença do mestre, abateu-se sobre os monges um silêncio sepulcral. E todos de olhos baixos e com pouca coragem para dar prosseguimento ao embate, emudeceram por completo.

De que se trata a questão, tão importante que faria até mesmo as pedras deslocarem-se de seus lugares? - Perguntou o mestre, com um certo tom de ironia, por compreender os ímpetos da juventude.

Os jovens monges permaneceram calados e sem a coragem de falar, tal a vergonha que sentiram pelo seu comportamento desequilibrado.

Como houvesse insistido o mestre, finalmente um deles resolveu se manifestar e perguntou:

Mestre, o que é a Verdade?

Sem comentar nada, o Mestre virou-se e saiu para o interior do monastério, deixando perplexo os seus discípulos, que permaneceram ali, ainda imóveis e calados. Pensavam silenciosamente em suas cabeças, o porquê da reação tão imprevisível do seu instrutor. Será que ele os castigaria permanecendo em silêncio punitivo, sem lhes esclarecer coisa alguma. Será que ele se aborreceu e achou a questão injusta para tal bagunça?

Naquela hora as razões mais e menos plausíveis passaram pela mente de todos. Então, uma meia-hora depois, voltou o velho mestre, munido de diversos pedaços de panos, cortados todos no mesmo tamanhos, em tiras que davam mais ou menos um braço de comprimento e da largura de um palmo. Pediu que cada um dos jovens pegasse uma das tiras e vendasse os olhos. Logo após todos estarem vendados e muito curiosos e até temerosos, pois muitos pensaram que seriam castigados, o mestre pediu que todos se perfilassem e apoiassem uma das mãos sobre o ombro daquele imediatamente à frente. Os jovens monges assim fizeram e formaram uma fila. Tomando a mão do primeiro da fila, o velho monge arrastou o grupo em direção ao interior do monastério, para um grande salão, onde geralmente se fazia meditação.

Colocou-os um a um sentados em forma de um quadrado, como se representassem os pontos cardeais. "Ele por certo nos vai açoitar". Pensavam uns. "Não acredito que nos bata, mas nos deixará assim sem nada ver durante muito tempo, devido ao nosso mal comportamento". Pensavam outros. "O que será que nos prepara o mestre?" Pensavam ainda outros.

Nesse momento, após todos estarem em suas posições, o mestre dirigiu-se para o fundo da sala e de lá trouxe uma caixa e a pôs no centro da sala, de modo eqüidistante de cada um dos grupos de noviços.

Após isso, pediu-lhes que removessem as vendas, mas que permanecessem em silêncio. Ao retirarem as vendas, o olhar curioso dos jovens monges bateram na imagem da caixa a sua frente e se estavam curiosos, mais ainda ficaram nesse instante.

Agora, que estão todos mais calmos, vou-lhes fazer uma pergunta. Disse-lhes o ancião. O que vêem vocês à sua frente?

Os mais atinados logo responderam: uma caixa.

Ora, que é uma caixa, acredito que estejamos todos de acordo. Mas qual é a cor dessa caixa? Perguntou novamente, o mestre.

Nova confusão de instaurou entre os jovens monges. Uns afirmavam que a caixa era vermelha, outros amarela, ainda outros que era azul e o último grupo que era verde. E já caminhavam para a contenda, esquecidos da presença do instrutor, quando este, indo em direção ao objeto, simplesmente o fez girar, fazendo com que todos os grupos de discípulos, pudessem ver cada uma das faces da caixa.

Todos emudeceram de súbito e perceberam que cada uma das faces do objeto estava pintada de uma cor. Desde então aprenderam que a Verdade só pode ser alcançada através da visão da totalidade e que a discussão em torno de posições pessoais, só gera a contenda, mas não produz a Sabedoria.

Autor Desconhecido

 

©  2003 - Nova Era