Liberdade
Soube de uma jovem que queria a liberdade. Aos quinze anos, filha de pais rigorosos, 
não podia fazer o que tinha vontade. Desejava ardentemente a liberdade.
Assim, prendeu-se ela ao primeiro namorado que apareceu, engravidou e casou-se. 
Agora, a liberdade. A liberdade não aconteceu. A pressão agora aumentou. 
Mulher casada não pode isto, não pode aquilo, não pode nada. A sensação de estar 
ausente de liberdade aumentou.
Decidiu que iria esperar o filho crescer, então, estaria livre, pois que agora estava presa 
ao casamento pelo filho... Assim, durante vinte anos esperou o momento de se libertar.
O temido momento da separação chegou, onde projetara sua liberdade. Separou-se. 
Por alguns dias, sentiu-se livre. Por alguns dias somente. Depois, deu-se conta de que 
estava ainda mais presa. Estava presa, ainda, às tarefas domésticas. E agora, mais. 
Também precisava prover os recursos financeiros. Temia que o gás terminasse e não 
houvesse dinheiro para repor. Os sofrimentos aumentaram. Estava cada vez mais presa.
Pensava, então, que a libertação poderia estar na morte, a temida morte. Era o que 
mais a assustava. Poderia ser ela o símbolo da libertação? Separar-se do que significava 
a vida?

"SEPARE-SE DO SOFRIMENTO!"

Esta é a solução. Não há outro caminho. A morte nada significa. O sofrimento não está no 
corpo. O sofrimento está na mente. Aí, é que deve ser curado. A libertação está na mente.
Não está no casamento, não está na separação, não está na morte. Está na mente.

by Jorge Luiz Brandt
 

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