"JERICÓ"

Era uma vez um jumento cinzento chamado Jericó.
Jericó não sabia de onde vinha e nem para onde ia.
Vivia feliz, solto pela campina verdejante, onde corria a galope
atrás de coelhos brancos ou então pastava calmamente perto de um regato pedregoso.
Um dia, acordou mansamente sob a luz suave do sol nascente;
levantou-se ligeiro e foi beber a água fresca do regato.
Após saciar a sede, foi passear por uma estradinha de terra a
qual nunca tinha percorrido; quando deparou com uma casa singela adornada de trepadeiras floridas. Em seu pequeno jardim avistou trevos verdes e graúdos, um grande manjar para seu paladar de jumento.
Acercou-se ligeiro do repasto devorando-os todos sem deixar
nenhum sobrando, mesmo após saciada a fome.
Sái bruscamente da casa um rude camponês com uma corda na mão, esbravejando indignado:
-------Passa! Passa! Seu asno da peste, estragaste meu canteiro de trevos que com muito suor plantei. Serás agora meu transporte para pagar o que me deve.
Jericó, sem defesa, foi amarrado e posto à freios, levado em
seguida ao moinho onde o camponês fabricava farinha.
Todos os dias pela manhã Jericó partia para o trabalho, ora
transportando farinha no lombo, ora passava o dia a andar em círculo fazendo a moenda do trigo. E quando o cansaço vinha, alongava o olhar ao longe; saudoso relembrava sua vida livre e despreocupada, quando isso ocorria, seu dono o chicoteava mandando-o trabalhar.
Uma noite em que o dia tinha sido muito trabalhoso e suado, Jericó em sua palha descansava olhando o firmamento, tentando compreender sua desdita e chorava de saudades de sua campina; da vida livre que levava e quando o sono o venceu, sonhou.
Sonhou que era dia, dia somente no seu pequeno estábulo e no centro da luz surgiu uma resplandecente entidade espiritual que mansamente falou:
-------"Jericó, por que chora?"
-------"Eu era feliz e livre, agora não sou mais", lamentou o jumento.
-------"Tinha liberdade e nada lhe faltava, enveredasse por estrada desconhecida e diante de tanta fartura colheu o que não plantou."
-------"Como ser feliz novamente?" perguntou choroso o animal.
-------"Paga o que deve e se libertará, com a lição aprendida não mais errará."
Viva conformado com a sua sina e um dia será recompensado."
-------"Sim, farei o que manda". falou humilde, "mas, quem é você estrela luminosa?"
-------"Eu sou o pão que alimenta o mundo, aquele que me ouve nunca se desespera e quem me segue encontrará a Terra Prometida."
Siga-me!"

No dia seguinte Jericó foi levado a um lugar estranho, foi banhado e escovado com muito cuidado, coisa que não estava acostumado. Cubriram-lhe com uma manta limpa e cheirosa. O dono levou-o para onde estava um grupo de
pessoas e um deles montou sobre seu lombo e o fez seguir para a cidade grande.
Jericó nunca tinha sido montado mas nada estranhou e nem sentiu o peso do homem sobre si. Sentiu-se envolvido em uma grande paz e sem saber como, foi percorrendo o caminho de entrada na cidade muito espantado com a alegria que o povo saudava o seu cavaleiro.
Gritos e louvores das pessoas que levavam nas mãos ramos de palmeiras não o pertubavam tanto quanto o ser levíssimo que levava ao lombo.
Chegando ao centro da grande cidade o homem que foi saudado com grande alegria pelo povo, desceu e passando sua mão sobre sua cabeça, olhou-o nos olhos, sorriu agradecido.
Jericó muito feliz de servir o homem de grande paz e amor
percebeu, ao vê-lo de frente, que esse ser era o mesmo de seu sonho e através dos gritos da população soube seu nome:
JESUS!


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