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Folha Caída
Olhando por esta janela, vejo uma folha bem verde na ponta de um galho. É o que vejo, portanto sei que ali há uma árvore. Todas as pessoas que aqui vêm comentam o privilégio de se ver uma árvore desta janela, em um lugar onde já quase só existem prédios. Eles também observam a bela árvore que há lá fora. Com o passar do tempo, a folha começa a ouvir os elogios e pensa: "Se aqui não há, além de mim, outra árvore, a árvore tão falada sou eu. E sou uma bela árvore. Se for tão magnífica árvore, que razão tenho para estar ligada a este tronco?". Assim, resolve se separar do tronco, e, realmente, se separa. A árvore está sem a folha, não sente sua falta, porém não está completa. A folha, agora separada, está caída. Não dizemos mais que é uma árvore, mas sim mais uma folha caída, seca no chão. "Todo aquele que bebe do meu sangue, e se alimenta do meu corpo, vive em mim, e eu nele". Enquanto a folha está conectada ao tronco, tem todo o conhecimento da árvore, e, por isso, dizemos que é a árvore, e a árvore também está na folha. "Todo aquele que não bebe do meu sangue e não se alimenta do meu corpo, ainda que vivo, morrerá" (João VI). Assim, podemos entender como vivemos, estando separados de Deus. Ele nos alimenta com sua seiva e seu corpo. O ego nos separa, colocando-nos em uma condição de vida tal qual a folha, que mesmo estando separada, ainda vive, mas ao vê-la caída, temos a certeza de que morrerá. Já está morta. Este é o significado da separação. Enquanto separados de Deus pelo ego, tornamo-nos seres mortais. É a falta de amor que induz ao medo, fazendo-nos temer, assim, a hora da morte. by Jorge Luiz Brandt |
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