Cópias

De minhas experiências com cópias não autorizadas, tive que fazer a expiação. Aí, parei quando alcancei este entendimento com as tais cópias.
Aconteceu, faz dois anos, que fiquei com um cd. Por conter músicas muito lindas, foi sempre muito querido pelas pessoas, que queriam tirar cópias. Sempre neguei esta possibilidade. Sempre dizendo às pessoas que isto seria uma violação dos direitos autorais. "Ora, sempre me diziam, todo mundo neste mundo copia". Busquei, junto à distribuidora, (informações) saber sobre a gravadora, ao que me disseram que esta havia fechado, e que, por isto, poderíamos fazer as cópias. Mesmo assim, não as fiz, alegando que alguém deveria deter os direitos autorais. Durante dois ou três anos resisti. Como sempre, gostava de usar cd's nos grupos de terapias e encontros que fazemos. Finalmente, então, num dos últimos encontros, não resisti aos pedidos e cedi para uma pessoa que copiasse imediatamente. Outros oito se levantaram, dizendo que também queriam. Alguém logo se prontificou a fazer as cópias. Cedo. Neste domingo fui para casa triste. Estava em conflito.
Algo havia se quebrado em mim. Resolvi, ainda assim, depois de intensa procura, até mesmo na internet, refazer as buscas. E, então, conversando com uma pessoa de outro estado, que tem uma lojinha de artigos alternativos, perguntei por este cd. Ao que me disse que tinha nove destes cd's em estoque. Eu os comprei. As cópias já haviam sido distribuídas e me pus então ao trabalho de recolhê-las. Com alegria, consegui recolher todas para exterminá-las. Então, aconteceu outra coisa. Ouvi uma música de uma gravação em fita de que dispunha um colega, e me interessei por saber onde a havia conseguido. Disse que conseguira com Sandy. Depois, encontrei Sandy, que se dispôs a me dar uma cópia. Isto me deixou contente, até que me dei conta. "Espere, falei, eu não quero uma cópia, não".
Assim, decidi que Sandy me trouxesse a cópia e que eu não deveria aceitar. Passaram-se algumas horas e resolvi fazer uma faxina em minhas coisas, há muito não tocadas. Deparei-me, então, com uma fita original, exatamente igual a que eu queria uma cópia. E mais. Achei uma outra fita original, com outra gravação que eu tinha perdido e não encontrara até então. Sim, eu compreendi. Em nenhum momento, era necessário copiá-las. Pois tudo já era meu e estava legalmente ao meu alcance. Quando se copia algo, o fazemos por considerá-lo muito bom. Este pode, ou não, ser a obra-prima do autor, que poderá se sentir lesado em seus direitos e desincentivado a prosseguir seu trabalho. Deixaremos, então, de ter a nosso dispor a grande obra-prima. Respeitar os direitos autorais está além do que nos impõe a justiça legal em nosso código de leis. Respeitar os direitos do autor é proporcionar a nós mesmos a oportunidade de obter melhores obras do que as obtidas até aqui.

by Jorge Luiz Brandt

 

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