Alma Gêmea



Certa vez, um discípulo perguntou ao seu Mestre já muito velho, por que ele nunca havia se casado e o Mestre respondeu:
- Eu procurava a Mulher perfeita, a minha metade e, assim, várias mulheres foram aparecendo em minha vida e as qualidades que eu buscava e que me preenchiam e satisfaziam; ora encontrava e outras horas não, quando era inteligente, não era culta, quando era sensual, não era bonita, quando era organizada, era chata e por aí afora...
- Você quer me dizer que nunca encontrou a Mulher perfeita?
- Encontrei, encontrei sim, mas aí foi Ela quem me disse que procurava o Homem perfeito e que Eu não era ele..."

Todos procuram sua cara metade, ou sua "alma gêmea", como costumamos chamar e devemos entender que os relacionamentos de terceira dimensão, os chamados "relacionamentos cármicos", precisam acabar. São ligações em que os parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúme, raiva e devem evoluir para acompanhar a mudança cósmica.
O objetivo desse tipo de reencontro é proporcionar às pessoas uma oportunidade para se entenderem como irmãos e fazerem escolhas diferentes das que fizeram em outras vidas.

Nessas uniões se repetem padrões emocionais vividos em outras épocas para que os envolvidos desenvolvam uma forma mais iluminada de lidar com a mesma situação. Esses encontros exercem uma forte atração que impele as pessoas a unirem-se com intensa paixão, parecendo terem encontrado sua alma gêmea.
Porém, os parceiros acabam num envolvimento conflituoso onde poder, controle e dependência tornam-se a tônica do relacionamento. O encontro emocional de outrora, que gerou cicatrizes e traumas emocionais, funciona também dentro da Lei de Atração.
São relacionamentos destrutivos onde não existe amor e respeito. A intenção da Lei nestes casos é que ambos consigam se desapegar com amorosidade.
Uniões que causam emoções intensas, tristezas, angústias e os envolvidos não conseguem se libertar são carmáticos, pois a energia do amor é alegre, calma, dá segurança, estabilidade e nos inspira coisa boas.

A única responsabilidade de cada um é consigo mesmo. A importância desta compreensão é fundamental para que possamos sair dos relacionamentos tridimensionais que tornam as pessoas dependentes de algo/alguém fora delas.
A visão distorcida do que significa alma gêmea faz com que as pessoas procurem sua outra metade, ilusão que as leva para fora de si mesmas, esquecendo-se da sua origem divina, onde somos inteiros; somos o masculino e o feminino, somos o todo.

Ninguém é metade de ninguém.

Na terceira dimensão, nosso ser é conduzido pela personalidade que é dual e, estando nela, vivemos a ilusão da paixão.

Ninguém se apaixona por ninguém.

A mulher se apaixona pelo masculino dentro dela, refletido no homem e vice-versa; o homem se apaixona pela sua porção feminina que encontra na mulher. Somos espelhos e um dia nos decepcionamos com nossa própria imagem refletida no outro.

Essa noção imatura do conceito de almas gêmeas nos leva a entender que somos essencialmente femininos ou masculinos e que precisamos da nossa outra metade para completarmos uma unidade. E a realidade é que somos inteiros, somos yin e yang, e enquanto não aprendermos a reconhecer cada uma dessas partes dentro de nós e integrá-las, estaremos atraindo relacionamentos de dependência.
Então, não existem almas gêmeas? Existem seres livres e independentes, que escolhem compartilhar sua vida com outro ser igual em essência.
Não estão juntos para resgatar ou aprender alguma coisa, pois estas almas não têm função na dualidade. Seus propósitos são sempre divinos.
Somente quando nos identificamos com a divindade dentro de nós, somos capazes de encontrar nossa "alma gêmea".
Quando nos tornamos conscientes de nossa unidade, nos tornamos menos ligados a coisas externas, como status, fama, dinheiro ou prestígio. Compreendemos que a chave da felicidade não é a experiência em si, mas sim , a maneira como vivemos esta experiência. Criamos nossa própria felicidade ou infelicidade através da consciência evoluída.


 

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