A Voz Do Silêncio

"Aquele que quiser ouvir a Voz do Silêncio, o som sem som, terá de aprender a natureza da concentração perfeita.
A mente é a grande assassina do Real. Que o discípulo mate o assassino. Porque, quando a sua própria forma parecer irreal
como o parecem ao acordar todas as formas que ele vê em sonho, quando deixar de ouvir os seres múltiplos, então poderá divisar o Uno, o som interior que mata o exterior. só então, ele deixa a região do falso para chegar ao reino do verdadeiro.

Antes que sua alma possa ver, e necessário conseguir a harmonia interior, e os olhos da carne se terem tornado cegos a toda ilusão.

Antes que a alma passa ouvir, o homem tem de se tornar surdo aos rugidos como aos murmúrios, aos gritos dos elefantes em fúria, como ao sussurro prateado do pirilampo de ouro.

Antes que a alma possa compreender e recordar, ela deve unir-se primeiro ao Falador silencioso, como a forma que é dada ao barro se uniu primeiro ao espírito do escultor. Então a alma poderá ouvir e recordar-se e ao ouvido interior falará a voz do Silêncio!

Esta terra, ó discípulo ignaro, não é senão a entrada para o crepúsculo que precede a verdadeira luz, — a luz que nenhum vento pode apagar, e que arde sem óleo nem pavio. A não ser que ouças, não poderás ver. A não ser que vejas, não poderás ouvir.

No silêncio, ouvirás a voz do teu interior!

Do Livro dos Preceitos Áureos do Budismo Tibetano:
fonte: A Voz do Silêncio

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