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A Outra Face
Já faz algum tempo. Mensalmente, efetuava um pagamento em um banco, referente a um crédito imobiliário. Sempre em renovação, este banco mudava constantemente o seu departamento que cuidava deste assunto de crédito imobiliário, onde eu deveria pegar o boleto para pagamento de minha prestação. Assim, ocorria constantemente, que, ao procurar este departamento na agência habitual, era informado que o mesmo havia mudado para outra agência. Isto, constantemente, me causava irritação. Neste dia, em especial, fui informado que tal departamento havia mudado para o prédio da agência central. Já irritado, dirigi-me a esta agência, porém ao chegar aí, ninguém sabia me dizer em que andar estava o tal departamento. Por mais de uma hora, subi e desci escadas, indo e vindo de sala em sala, e, às vezes, retornando a mesma anterior, depois de terem me garantido que era ali. Isto já parecia brincadeira. Agora sim, estava irritado, já estava mesmo com muita raiva. Dirigi-me então a gerência, onde fui parado por uma secretária que insistia em saber qual era o assunto. Afirmei que já havia falado dezenas de vezes sobre qual era o assunto, e somente falaria outra vez, mas com a gerência. Disse-me que sem saber o assunto, o assistente da gerência, do qual era secretária, não permitiria que eu falasse com o gerente. Eu estava a ponto de explodir de indignação e raiva. Sentei a sua frente e em altos brados disse: - Se em cinco minutos não for atendido por um gerente, prepare-se para um grande tumulto aqui, pois afirmo que darei início a isto. Eu mesmo espantei-me com esse corre-corre que causei. Em menos de três minutos, a secretária me indicou o gerente. Fui até a sua mesa, e com a intenção de explodir toda a minha raiva em cima dele, surpreendi-me com um grande sorriso, uma mão estendida, e um coração aberto transbordando amor. Aquele homem tinha tanto amor... O amor foi tão grande, que sentei, e, então, já não sabia mais o que dizer. Ele, então, perguntou: -Em que posso ser útil? Ao que respondi, com a voz mais suave que encontrei em mim. Nada, só queria o boleto para pagar minha prestação. Fiquei tentando achar minha raiva, irritação, indignação, ódio, ou sei lá o que, nada mais achei. Ainda que sentisse vontade de abraçar este homem e agradecer, não encontrei nele nenhuma intenção de defesa. Com ele, eu não corria risco algum, não havia razão de atacar. Seu amor era tão grande, que dissolveu totalmente qualquer outro sentimento que eu poderia ter. Compreendi depois, que Jaime, o gerente, mostrou-me apenas a outra face, porque o amor e a luz dissolvem a escuridão, por simples iluminação. Assim, se desfazem as trevas. A outra face de qualquer sentimento que não seja amoroso é o amor. Este é o sentimento de dar a outra face. |
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