A Morte, A Separação
A existência é um contínuo
movimento de reprodução da separação.
Cerca de 99por cento dos corpos orgânicos são
compostos de "C h o n Seja carbono hidrogênio,
oxigênio, e nitrogênio,então explica
a contínua reprodução como o
efeito o carbono existente na fórmula.
Assim, reproduzimos a separação.
Para nascer, ou seja, antes, separa-se o óvulo
da mãe, e o espermatozóide do pai.
Aí, nos unimos a mãe, e ao nascer, separamos,
e aí, separamos do seio materno, da mamadeira,
da chupeta, dos primeiros amiguinhos na creche, dos
amiguinhos da escolinha de primeiro grau, e do melhor
amigo, e da melhor amiga, e aí, vamos nos separando
mais dos pais, e unimos e separamos, e unimos e separamos.
e nos separamos pela morte de nossos amigos, dos pais,
dos filhos, e finalmente de todos quando de nossa
própria morte.
Então, nos unimos e separamos, e nos separamos
e voltamos a unir.
E então quando acontece uma separação
súbita, o choque, por que?
Porque na separação, nos sentimos nus.
despidos, e entramos em contato com nosso ego.
Percebemos medo, nossa fragilidade, nossos cacos ou
fragmentos, irritação, raiva de nós,
e de Deus talvez.
Assim, revivemos a separação inicial.
Tal qual Eva e Adão, cujo primeiro impulso
foi correr até o parreiras shoping e cobrir-se
com vestimentas
Quando nos separamos de um relacionamento, para sair
da depressão também vamos ao shoping
comprar umas oupinhas., pois também nos sentimos
desnudos.
Sim, ao reviver a separação vemos o
ego despido.
Fazemos um balanço nos armários para
ver o que a outra pessoa levou, percebemos o vazio
e imediatamente temos o impulso de reconstruir os
vazios e e recolocar nossas vestimentas.
E como é então a união, se na
separação nos sentimos despidos e procuramos
nos vestir?
Assim, vamos nos aproximando, juntando as mãozinhas,
juntando os corpos, e nos despindo, e amedida que
despido os corpos, vão aparecendo os conteúdos
interiores, e vamos expondo a outra pessoa nosso ego
com todos os medos, fragilidades, carências,
ódios, e demais sentimentos egoicos pertinentes.
E tudo isto sem nos darmos conta.
Evamos muitas vezes nos dar conta somente na separação.
Quando a separação é por morte,
o medo e a fragilidades pode ser mias visível.
Por que?
Penso que em algum momento, lembramos a separação,
e entramos em contato com todos os sentimentos gerados
pela separação, e neste momento, ainda
vislumbramos a luz anterior.
Ficamos péssimos, e chegamos a pensar equivocadamente
que é pelo contato com a luz.
A luz no entanto apenas mostra o ego, e de que é
feito. É assim, uma de nossas maiores oportunidades
de em expondo o ego a luz, desfaze-lo, pois que é
feito de sobras, que se dissolvem a luz, tal qual
se dissolve ao contato com a luz as fantasias que
invadem as sombras da noite, a pouca luz do luar.
Assim, o ego parece uma bruxa, muito feia, que guardamos
como amante em segredo em quarto escuro, e que com
medo de ser percebida como é não nos
permite ascender a luz, iludindo-nos com doces estórias,
e nos proporcionando falsos prazeres.
A morte, assim percebida, encenando uma separação
que também é falsa, nos proporciona
o contato com nosso eu egóico produzindo a
oportunidade de cura.
Veja, que a morte não elimina a paternidade,
ou a filiação, ou a irmandade,, ou coisa
alguma.
Então, se assim é, a morte não
é nada.
É mais uma ilusão
Jorge Luiz Brandt
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