A Cobrança No ano de 1921, uma menina de cinco anos de idade vivenciou a seguinte situação: Seu pai havia comprado terras de um vizinho que iria mudar-se para a Argentina, e combinou o pagamento em três vezes. O primeiro pagamento deveria realizar-se no ato da compra, o segundo, um ano depois, e o terceiro, no ano seguinte, ambos mediante uma nota promissória. O segundo pagamento venceu. Apareceu, então, um filho do ex-proprietário com a promissória. Foi efetuado o pagamento. No último pagamento, a menina estava presente. Compareceu então o outro filho do ex-proprietário para efetuar a cobrança, no entanto, sem a promissória. Alegou que, durante a longa viagem, fora roubado, não mais possuindo o documento. O pai da menina negou-se a pagar, temeroso que outro dos vários filhos pudesse aparecer com a promissória, tendo que pagar novamente, visto que nada valeria o pagamento sem ela. Setenta anos depois, a menina, já uma senhora com 76 anos, mora sozinha em um apartamento distante cerca de dois mil quilômetros de onde aconteceu o fato. Um dia, após sua cesta matinal, acordou. Quando estava já na sala, percebeu, assustada, um fenômeno que muito a assustou. À sua frente, viu formar-se a imagem do rapaz que havia sem sucesso tentado cobrar a dívida sem a promissória. Ele disse: "Vim para receber o dinheiro de todos os herdeiros vivos de seu pai. Você é a única pessoa que sabe o que aconteceu. Você sabe que a conta nuca foi paga". A mulher saiu correndo apavorada, voltando para casa várias horas depois. Os dias foram se passando e ela foi se acalmando, pensando que tivera sonhado. E aí, aconteceu novamente. Ela viu, outra vez, a imagem materializar-se a sua frente. Perguntou então: "Mas homem, o que posso fazer?". A resposta foi: "Você pode". E a imagem sumiu. Decidiu, então, a mulher, procurar ajuda. Ela tinha uma amiga que estudava sobre espíritos e que lhe aconselhou: - Se o espírito aparecer outra vez, pergunte quanto tens que pagar, e diga que você deseja pagar, se é que podes. Então, aconteceu outra vez. Seguindo a orientação, perguntou pela quantia. O que lhe respondeu o cobrador; "Um mil setecentos e trinta e quatro reais.." - Eu tenho este dinheiro, respondeu a mulher. Como eu posso pagar? Sem responder, a imagem sumiu. A mulher separou, em uma poupança, a quantia e a deixou disponível. Vários meses se passaram. A mulher tranqüila, já havia esquecido o fato. Um dia, ao andar pela cidade, uma pessoa que chorava lhe chamou a atenção. Aproximou-se dela, e perguntou: "O que está acontecendo com você?". - Acontece que tenho que pagar uma dívida, e não tenho o dinheiro. Se não pagar hoje, terei que entregar minha casinha, como pagamento, e não terei onde morar com minha família. - E quanto é esta dívida? perguntou a mulher. - Um mil, setecentos e trinta e quatro reais, disse a pessoa chorando. É muito dinheiro. A mulher ficou pálida e disse a pessoa que esperasse ali mesmo. Estava próxima do banco. Retirou a exata quantia e entregou a ela. Entendera que tamanha coincidência não poderia significar outra coisa, a não ser o sinal para o pagamento da dívida. Sentiu-se aliviada, feliz e uma paz interior que jamais houvera experimentado. Fato e imaginação podem se fundir. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência. by
Jorge Luiz Brandt |
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