A
Caixa
Recebi em minha casa uma caixa.
Linda!!!
Toda em papel violeta, com laços dourados.
Linda!!!
Não dava nem vontade de abrir.
Passei vários minutos segurando a caixa.
Era agradável toca-la.
Era prazeroso senti-la em minhas mãos.
Aquela linda caixa, em minhas mãos, minha!!
Então, fui delicadamente abrindo-a
Não queria estragar a linda embalagem.
Desfiz cuidadosamente os laços, e aos pucos lentamente fui
retirando o papel que a cobria.
E, então a abri!!!
Surpresa!!!
Estava vazia!!!
Não tinha nada dentro!!!
Então apareceu a pessoa que me enviara a caixa.
-E então, gostou,? perguntou.
-Sim, da caixa, mas está sem nada dentro.
-Mas a embalagem é linda não é mesmo?
-Sim, confesso fiquei muito entusiasmado, mas depois que a abri,
fiquei decepcionado, não tem nada dentro.
Bem, quando vemos as pessoas pelas suas aparências não
vemos o que tem dentro. A abertura vai acontecendo aos poucos. quanto
mais bela a embalagem, mais tempo nos detemos nela.
E a medida que vamos retirando os belos laços de fita, e as
folhas brilhantes de papel que as encobre, descobrimos seus conteúdos.
Muitas vezes, estamos tão pouco concentrados no conteúdo,
que passamos a conhecer a pessoa somente pela suas aparecias exteriores.
E mesmo que na caixa tenha algo muito valoroso, não conseguimos
ver nada.
Depositei nesta caixa alegria, amor e paz.
Porque não encontrei nada que tivesse mais valor, que durasse
a eternidade do que todo o meu amor.
Mas ele não é palpável, não vais senti-lo
no tato.
Mas ele não tem aroma, não vais senti-lo no olfato.
Mas ele não é visível, não vais senti-lo
no olhar.
Mas ele não é sonoro, não vais ouvi-lo soar.
Nem tampouco é degustavel, não poderás saborear.
Também não é exclusivo
Se propaga pelo ar.
Terás que compartilhar.;
Com tudo oque há no universo.
Sem nada discriminar.
Jorge
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